No meio do dia se ouve uma queixa.
No meio da sala da tarde que arde.
E surge uma moça dos lábios de ameixa
Dizendo que a dor se guardou pra mais tarde.
Dizia baixinho
sem fazer alarde:
"Não me deixa...
Não me deixa..."
A moça dos lábios
com a cor da tarde.
No sol deste dia que já vira pó,
"Não quero estar só,
não quero estar só..."
E de dentro do recinto
Através de um fino muro
Eis que escuto, num apuro,
quebradiça voz de vidro...
"Me tira já daqui!
Presa em fêmea, sou menino.
Expurgada para sempre
do Universo Masculino.
Exilada no espelho
do Banheiro Feminino.
No fricote, na frescura.
No decote e na amargura.
Prisioneira indefesa
do País da Formosura."
E assim vai o poeta, como hábil escultor/esculpindo em pássaro/imprimindo em nuvem/o seu amor/com lápis de cor./Lapida em tudo que é morto/quanto é bom ser vivo./Tudo que um dia foi e quis ser de novo/emerge a pleno no coração do poeta./Sereias que súbito sobem à superfície.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
cifrado
bri
bri
o bri do gabriel
me provoca calafri.
o frio do teu el
me derrete
gabrimel.
o gab da tua boca
vem envenenar meu véu.
gabriel caiu do céu,
imprevisto passarinho.
me carrega pro dossel,
quero conhecer teu ninho...
vamos
vem andar de carrossel,
vem entrar no meu caminho!
cavalgar no meu corcel
e piar devagarinho...
bri
o bri do gabriel
me provoca calafri.
o frio do teu el
me derrete
gabrimel.
o gab da tua boca
vem envenenar meu véu.
gabriel caiu do céu,
imprevisto passarinho.
me carrega pro dossel,
quero conhecer teu ninho...
vamos
vem andar de carrossel,
vem entrar no meu caminho!
cavalgar no meu corcel
e piar devagarinho...
terça-feira, 31 de janeiro de 2012
frágil
Ó menina,
ó menina.
Menina que chora
e que mia.
Não duvide nunca
do teu gosto pela poesia!
Como te cai bem essa cor
sobre o riso triste,
o matiz de verniz
sobre as dores
febris.
A poesia da tua vida
está brincando nos teus cabelos!
Vês?
Ó menina cor dos dias,
não te massacre nunca a urgência
dos teus versos capen
guinhos.
Que há se tuas rimas
não rimarem teu sentimento?
O poema também muda
com os humores do tempo.
E é tão bela essa feiúra
que embonita teus versos,
que embonita teus versos,
que eles não te condenam
e inda te esperam.
doze de junho (a la Quintana)
Ah, igreja da minha rua...
Igreja da minha vida!
É em ti que um dia caso
quando eu for menos dorida...
Quando a vida der mais gosto
que esta hora sofrida,
quem sabe tua parede
ainda seja colorida.
Tua cruz pertence à tarde
Esta tarde tão querida.
Ao final de tuas torres
principia a minha vida.
Ah, pequena
capela.
Fosse a vida tão cheirosa
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
quarta-feira, 11 de janeiro de 2012
coquetel
Meu amor é feito vidro.
Pele fria, gosto frio.
Mora dentro de um mundo
Transparente e vazio.
Chorar não lhe encanta;
tem gosto de sal.
E o que nele me espanta
é a cara de mau.
É o jeito de mar
no olhar de cristal.
As pontadas marinhas
que me fazem tão mal.
E as miradas salgadas
neste mar resplandecente
atordoam, confundem..
Meu corpo está dormente.
É quando nas dobras,
nas curvas castanhas
Penetro na fonte
das ondas-façanhas.
Enfim são tranquilos
teus olhos salinos.
Um mar de água doce,
um rio cristalino.
Pele fria, gosto frio.
Mora dentro de um mundo
Transparente e vazio.
Chorar não lhe encanta;
tem gosto de sal.
E o que nele me espanta
é a cara de mau.
É o jeito de mar
no olhar de cristal.
As pontadas marinhas
que me fazem tão mal.
E as miradas salgadas
neste mar resplandecente
atordoam, confundem..
Meu corpo está dormente.
É quando nas dobras,
nas curvas castanhas
Penetro na fonte
das ondas-façanhas.
Enfim são tranquilos
teus olhos salinos.
Um mar de água doce,
um rio cristalino.
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