Prazer maior não pode haver...
Sentir o gosto
das lágrimas do outro.
O mais puro gosto
de um bem-querer.
Prazer maior
não sei conceber:
o aroma de nunca
te ver sofrer...
E deitar o ouvido ao solo
e escutar teu coração.
Ser capaz de ouvir a flor
germinando rente ao chão.
Tão
Tão devagar como o foi a Criação.
Tão enraizadamente
quanto a minha ilusão.
E assim vai o poeta, como hábil escultor/esculpindo em pássaro/imprimindo em nuvem/o seu amor/com lápis de cor./Lapida em tudo que é morto/quanto é bom ser vivo./Tudo que um dia foi e quis ser de novo/emerge a pleno no coração do poeta./Sereias que súbito sobem à superfície.
quinta-feira, 31 de maio de 2012
sexta-feira, 25 de maio de 2012
as mulheres mais maduras são os mais belos frutos da árvore da feminilidade.
são aqueles que mais perto chegaram do topo, que mais conheceram a vista lá de cima, que mais apreciaram o mormaço das tardes.
são frutos que não murcham, pois, à medida que o tempo passa, mais tenros e adocicados o calor do sol vai deixando..
quarta-feira, 16 de maio de 2012
terça-feira, 14 de fevereiro de 2012
sereias súbitas
O poeta é aquele que imprime
suas emoções na natureza.
Nas coisas, animais e flores
para sentir-se menos sozinho.
Porque as coisas, animais e flores
são todo o seu sentimento.
O poeta quando sente
ele é todo natureza:
A matéria do amor
é um perfume inesperado
que vem e faz buraco
de saudade na memória.
A matéria da dor
é um céu enegrecido
pelas nuvens fim-de-tarde.
É um espaço-calmaria
pra nossa melancolia
ser capaz de respirar
quando chega o fim do dia.
A matéria da alegria é um gato
dormindo enroscado
a um raio de sol.
O vento deflorando as violetas.
A gaivota beijando o mar.
A garça à beira-rio
tomando banho de pedra,
barrigando o vento...
E assim vai o poeta,
como hábil escultor
imprimindo em pássaro
esculpindo em nuvem
o seu amor
com lápis de cor.
Lapida em tudo que é morto
quanto é bom ser vivo.
Tudo que um dia foi
e quis ser de novo
emerge a pleno
no coração do poeta.
a flor e a redoma
Seus olhos de rosa
abriram as pétalas.
O olhar petulante
roubou o meu brilho.
O meu coração despetala
em silêncio.
E os olhos pedintes
vão assim me invadindo.
Coração perde uma folha
Cada vez que assim me olha.
E a cada vez que despedaça
A flor que eu tinha a flor que eu era,
Eis que murcha um pé-de-amor
no ardor da primavera.
Ele sereno serve em taça
a sua emoção a minha agonia.
O meu coração caiu numa fria.
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