terça-feira, 18 de junho de 2013

a clock of beauty is a time for ever

não existe remédio pr´a alma:
é sentar e escrever.
só assim é que o relógio
                                  ao mundo pára de bater.

coração do tempo, vibra!
já não hei de te temer.

vem deitar
aqui no meu leito
vem entrar
aqui no meu peito
e escuta o silêncio
que a idade deixou...

foi aqui que os seus motores
a cidade estacionou!

fecha os ouvidos e escuta
o que a noite preparou...

o porão-túnel do tempo
nossa alma evaporou.

moon river ("o" de amor)

"Morde com gosto
a cereja da vida.
Gostoso é ser doce
depois de sofrida."

vó, vem pra perto
mais perto de mim.
sou teu recomeço
e não o teu fim.

se eu te aconteço,
p´ra ti digo sim,
a vida mereço:
já moras em mim.

eu te pertenço
e de ti preciso.
só assim que posso
não mais ser narciso...

me deixo fluir
me deixo levar
como um rio miúdo
correndo pro mar.

o rio está rindo...
não pode parar.
o mar é tão grande.
e só sabe amar.

longas tentações

O que a tarde em mim provoca
em todas as estações?
Verão...
verão...

Pelo fio dourado da tarde
vem descendo o meu verão.
Ah, verão, se és meu trem
quero ser tua estação!

Vem verão, encosta ao meu
este teu cálido rosto.
Antes que o sol lentamente
em abril tenha se posto...

"menos que nada, etéreo sopro" - a uma bailarina

Ah, menina-vento...

que tarde tão fresca
sopra em teus cabelos!

Rajada de alento
à minh´alma de apelos.

Se eu não posso viver-te,
se eu não posso dançar-te,
ao menos de longe
serei tua parte:

Derrama no palco
o teu corpo de arte...

mímolos

Bem-vindo à Casa
dos Sentimentos Transparentes.
É só aqui que eu sei morar.
Aqui não é
o lar que faz os parentes
Aqui os parentes constroem

com sábia paciência
e sólidas pedras do mar
o líquido cristal...

a lenta morada do amar.

à de sempre

Aquelas que fomos
um dia crianças
nos fazem quem somos
em nossas andanças.

Caminhamos juntas,
as quatro de mãos dadas.
É nossa e é delas
a longa jornada.

A estrada é sem volta...
E tão longa é a ida!
Que leve lhe torna
uma amiga querida...

Amiga querida é pouca palavra.
A palavra certa é toda-uma-vida.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

arroubo

Nós, adultos, nos colhemos.
Do passado somos frutos.
Ser criança é uma árvore,
e não existe futuro.
Quanto mais velhos ficamos
mais o fruto é maduro.

E quando formos crianças
e quando formos felizes
veremos que o fruto é maduro
porque é todo raízes.

(Caímos de maduro
os eternos aprendizes.)