Viver num mundo de palavras,
esperando encontrar um sentido,
é viver na ilusão
na mais completa solidão,
a la Cazuza.
Viu, Poeta?
Também sou filho único,
também conheço a dor
de ser uma palavra desarticulada da frase,
um todo dolorido
que está fora do poema...
Quem vive buscando um porquê
nas palavras que encontra,
faz do rio
pedras no caminho...
É amado e não ama.
E assim vai o poeta, como hábil escultor/esculpindo em pássaro/imprimindo em nuvem/o seu amor/com lápis de cor./Lapida em tudo que é morto/quanto é bom ser vivo./Tudo que um dia foi e quis ser de novo/emerge a pleno no coração do poeta./Sereias que súbito sobem à superfície.
segunda-feira, 29 de dezembro de 2014
o ermitão e as meninas
Quem vive buscando ter o controle sobre as palavras,
e esgotar o sentido de cada uma
está sozinho.
Súbito descobre-as
vazias... enxerga
que as palavras são meninas distraídas
que só querem cirandar, cirandar...
não têm sentido nenhum!
...estão para a língua como as nuvens estão para o céu.
Quem vive assim, procurando letras e não cheiro
nas pétalas da flor
está perdido
perdido
perdido
completamente
na vida.
Sem rumo.
e esgotar o sentido de cada uma
está sozinho.
Súbito descobre-as
vazias... enxerga
que as palavras são meninas distraídas
que só querem cirandar, cirandar...
não têm sentido nenhum!
...estão para a língua como as nuvens estão para o céu.
Quem vive assim, procurando letras e não cheiro
nas pétalas da flor
está perdido
perdido
perdido
completamente
na vida.
Sem rumo.
olhos oblíquos
Oriente, verbo imperativo, hoje em dia.
Que estranho modo: nos achinesarmos!
Vê? Compramos brinquinhos
aos montes bugigangas
na família chinesa.
Comemos peixe
no restaurante japonês
garçonetes brasileiras.
Loiros cabelos
que não conhecem o Oriente.
(O Japão e o Brasil não reconhecem seus doces olhos.
Porém aceitam-nos como a um filho).
Que estranho modo: nos achinesarmos!
Vê? Compramos brinquinhos
aos montes bugigangas
na família chinesa.
Comemos peixe
no restaurante japonês
garçonetes brasileiras.
Loiros cabelos
que não conhecem o Oriente.
(O Japão e o Brasil não reconhecem seus doces olhos.
Porém aceitam-nos como a um filho).
ouve, é tua alma!
(Tua alma está por demais
invadida por palavras.
Deixa que eu te mostre
que nela pode entrar,
para morar,
o silêncio.)
O bálsamo que acalma a loucura
não é um remédio.
São os braços quentes da compreensão.
O colo que ajuda a loucura
não é a saúde vindo dizer
que a loucura é a errada,
e a saúde, a certa.
Com a loucura não se bate de frente.
Acolhe-se
compreende-se
escuta-se
E, sobretudo,
ao invés de se querer encontrar para a saúde
um lugar dentro da loucura
Ao invés de a saúde
querer ali se alojar
Abre-se um espaço para que entre a loucura
dentro da saúde.
Sim, a saúde abriga a loucura como uma barriga a um bebê,
ternamente...
Com a loucura
não se aconselha nem argumenta,
traçam-se os limites
até onde a dor aguenta.
invadida por palavras.
Deixa que eu te mostre
que nela pode entrar,
para morar,
o silêncio.)
O bálsamo que acalma a loucura
não é um remédio.
São os braços quentes da compreensão.
O colo que ajuda a loucura
não é a saúde vindo dizer
que a loucura é a errada,
e a saúde, a certa.
Com a loucura não se bate de frente.
Acolhe-se
compreende-se
escuta-se
E, sobretudo,
ao invés de se querer encontrar para a saúde
um lugar dentro da loucura
Ao invés de a saúde
querer ali se alojar
Abre-se um espaço para que entre a loucura
dentro da saúde.
Sim, a saúde abriga a loucura como uma barriga a um bebê,
ternamente...
Com a loucura
não se aconselha nem argumenta,
traçam-se os limites
até onde a dor aguenta.
click!
O dinheiro mais bem gasto da minha vida foi com uma viagem.
Uma viagem única e ininterrupta: minha análise.
A viagem para dentro de mim foi o mais bem investido valor.
Viagem sem volta,
porém com os retornos mais profícuos
mais palpáveis
mais profundos!
Uma viagem única e ininterrupta: minha análise.
A viagem para dentro de mim foi o mais bem investido valor.
Viagem sem volta,
porém com os retornos mais profícuos
mais palpáveis
mais profundos!
de volta à poesia
Coisas bonitas a gente compartilha.
Divulgo aqui o belo poema do amigo André Amorim Ramos,
publicado em seu blog (http://quem-ama-inventa.blogspot.com.br), em 19 de novembro de 2013:
Aquela árvore deu flor:
Eis um poema completo
Afagando os olhos.
Ainda assim, desce o poeta
Aos porões do seu ofício.
Quer ser parte
quer ser pai
da primavera.
Artifício - diz o senso
Ledo vício, imaginar
o que quer dizer a flor
que só quer desabrochar.
Aquele árvore deu flor.
Um vento refresca
A testa e a têmpora
A poesia se espalha.
Divulgo aqui o belo poema do amigo André Amorim Ramos,
publicado em seu blog (http://quem-ama-inventa.blogspot.com.br), em 19 de novembro de 2013:
Aquela árvore deu flor:
Eis um poema completo
Afagando os olhos.
Ainda assim, desce o poeta
Aos porões do seu ofício.
Quer ser parte
quer ser pai
da primavera.
Artifício - diz o senso
Ledo vício, imaginar
o que quer dizer a flor
que só quer desabrochar.
Aquele árvore deu flor.
Um vento refresca
A testa e a têmpora
A poesia se espalha.
terça-feira, 20 de maio de 2014
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